Espaço Sagrado

Artista

Fernanda Lago

Data

5/11/2011 a 26/11/2011

Tecidos do cotidianoFernanda Lago é uma jovem artista que desperta interesse logo que vemos suas ações e instalações, num segundo olhar aparecem claras as evidências arquetípicas ao conduzir suas intenções transcendendo o apelo formal, e acionando outros sentidos que encontramos na arte contemporânea.  Escutar nosso pulsar por um estetoscópio dentro de um túnel denominado de Akshatam 2 , eu comigo mesma  em sânscrito. A auscultação é executada com a finalidade de  examinar o sistema circulatório e sistema respiratório, sons do coração e sons da respiração.

Nas palavras de Fernanda, seria uma auto-descoberta como espaço de reflexão de si e do espectador ao nos encontrarmos imersos na arquitetura de tecido e acrilon, obtendo uma experiência estética e metafísica . Este material sintético , acrilon, é constantemente utilizado pela artista para construir sua poética ao imprimir como molde à partir de seu corpo, parecendo emergir de uma nuvem artificial ao  medir o espaço da ação, e ampliando nossa capacidade de perceber o mundo.

Em outra instalação, o espectro atravessa um voil branco, onde quem se encontra dentro visualiza a cena externa, e quem está fora não enxerga quem está dentro, deste lugar chamado de “sagrado” pela artista. Cria também  um paradoxo ao desmistificar a aura da obra de arte, num mantra tecido pelo tempo como performance etérea em toda sua plena fisicalidade.

Alexandre Antunes – outubro 2011

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Corpo Expandido, exposição de Ingrid Noal

Artista

Ingrid Noal

Datas

Abertura: 14 de maio, sábado,  das 19 às 22h
Visitação: até 04 de junho, sextas e sábados das 15 às 19h
Encontros com a artista: aos sábados a partir das 15h

Anatomia do corpo expandido

Alexandre Antunes

Após minha visita ao apartamento-atelier de Ingrid Noal, saí com a nítida sensação de passar algumas horas tendo uma lição de anatomia do corpo humano, algo que me deu muito prazer e maior conhecimento a respeito de sua produção. Alguns pares de pés de gesso e cimento instalados no meio do caos criativo, relativos a uma experiência clássica de fazer escultura, mas transfigurados por um olhar contemporâneo de apresentação do mundo, onde cada pé contém características próprias das pessoas que serviram de modelo neste projeto.

Ao direcionar seu foco num membro específico do corpo, Ingrid aciona um cálculo proporcional, possibilitando ao espectador imaginar precisamente que altura aquele corpo ocuparia no espaço. Veias, músculos, sinais particulares e suas imperfeições constituem esta coleção que a artista persegue obsessivamente em partes que saem de formas constantemente, assim como o silicone utilizado no processo de cons

trução em série que cumpre a função de uma pele ao descolar cada membro, resultado que algumas vezes incorpora partes e cores como pigmentos que se fundem na matéria, tornando inusitada esta operação organizada e estabelecida numa ordem de fundamento categórico: o ser humano com fim em si mesmo.

É significativo o fato de sua escolha inicial ter sido a música, a ponto de decidir viajar para alguns paises e caminhar por outros territórios, onde descobre que o mundo ampliado das imagens era cada vez mais objeto de seu interesse como artista.

Ao tocar violino – instrumento escolhido – executava a música em pé, procedimento que aparece também nas imagens fotográficas, sugeridas ao espectador em poder completar este corpo ausente com sua presença, qual um músico e seus pés servindo de sustentação para manter o equilíbrio e distribuir de maneira uniforme seu peso, expande assim nossos sentidos ao intervir nas ruas da cidade ou em alguma praia do litoral, ao ar livre, saindo do particular para encontrar um universo de possibilidades.

O que fica não é apenas o registro da ação, mas a intenção de compartilhar aquilo que está para além do objeto. Todo artista quando pensa seu trabalho utiliza o corpo inteiro, mesmo em estado de repouso.  Ingrid Noal estabelece um ritmo próprio para melodias internas durante o processo de elaboração poética, seguindo passo a passo, sem pressa, apenas com o tempo a seu favor.

Alexandre Antunes,
Abril de 2011.