da minha janela vejo o mundo

Durante a exposição “Da minha janela vejo o mundo” Cláudia Sperb desenvolveu várias atividades e propostas convidando seus amigos para participar com xilogravuras e monotipias, performances musicais, rodas de poesia, projeção de filmes e vídeos, textos, intervenções, oficinas de xilogravura, papel machê, origami e desenhos na parede dos espaço expositivo do Jabutipê.  Os convidados de Cláudia foram: Banda Afoxetal, Barbara Benz, Bruno Oliveira, Carina Sehn, Carlos Urbim, Cristiane Ferronato, Eduardo Krug, Everton Moraes, Joana Kirst Adami, Luís Filipe Bueno, Marcelo Monteiro, Moacir Chotguis, Nina Blauth, Rafael Kenji, Rosane Morais, Samuel Ornelas, Seda, Thiago Esser e Antônio Augusto Bueno

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da minha janela vejo o mundo

Artista

Cláudia Sperb

Data

26 de maio até 16 de junho de 2012
Da minha janela vejo o mundo
Para celebrar o nascimento do filho há 15 anos, Cláudia Sperb mostrou no Museu do Trabalho que “flores são estrelas do meu céu”. Flores celestes prometem flores futuras.
Ano passado, a artista recebeu convite do amigo Antonio Augusto Bueno, dono do ateliê e espaço expositivo Jabutipê, para uma mostra individual. Sentiu-se honrada. Convite afável e irrecusável. Desafio.
Começou a trabalhar, muito. Desde 2006, quando recebeu o primeiro prêmio Açorianos de reconhecimento em gravura, não se envolvia com o processo de expor obras recentes em mostra individual na capital gaúcha.
Flores renasceram. São o conjunto de vivências que levam a uma constatação: “Da minha janela vejo o mundo”. É o depoimento de quem ouviu uma florista da BR-116 dizer: “Uma casa sem flor é uma casa sem amor”. Essa frase se tornou motivação.
As xilogravuras têm dimensões que variam de 15cm x15cm a 30cmx160cm. Algumas são coloridas, graças ao período de residência que Cláudia fez com artistas do ateliê Piratininga/SP. Repetições, sobreposições.
Flores visíveis de janelas abertas no atelier em Morro Reuter para que, como confessa a artista, “todos possam ver mais flores nos jardins, nas casas, nos escritórios, nas escolas, nos hospitais, nos cemitérios…”                                                                                             Carlos Urbim
Da minha janela vejo o mundo
Em uma de minhas idas ao atelier de Cláudia Sperb – O Caminho das serpentes encantadas , no Morro Reuter – tive a sorte e o prazer de vê-la, numa tarde ensolarada, em frente ao seu pessegueiro repleto de frutas aveludadas, gritar empolgadíssima: “cada pêssego é um planeta !”
Com toda a certeza, quando entramos em contato com o universo de Cláudia, conhecemos outra realidade, com suas peculiares verdades, dúvidas e motivações que fazem de cada batida de seu coração um impulso para uma nova criação…
Cláudia é uma artista de verdade, que utilizando técnicas milenares como a xilogravura e o mosaico, num fazer artístico que, não se resumindo ao seu atelier ou ao espaço expositivo – e sim em cada instante de seu dia-a-dia – consegue deixar a vida mais repleta de fantasia.
Ter o privilégio de acompanhar Cláudia construindo detalhe por detalhe desta mostra, como quem constrói uma muralha oriental (que neste caso não separa ou aprisiona e sim nos une e nos liberta) me faz acreditar realmente que cada pêssego é um planeta… e, por essa janela aqui criada estamos tendo a experiência única de ver o mundo pelo olhar encantado de Cláudia Sperb.
                                                           Antônio Augusto Bueno, maio de 2012
 

 

gravetos armados

 

dia 17 de maio de 2012, às 19h dando prosseguimento ao projeto gravetos armados, antônio augusto bueno abre sua próxima exposição no porão do paço dos açorianos.

porão do paço dos açorianos – praça montevidéu n°10 | centro histórico de porto alegre

 

 

aquarelas ao vento

Artista

Gaby Benedyct

Data

abertura 28 de abril de 2012 às 20h
 

Por que aquarelas?
Por que ao vento?
Aquarelas porque acalmam.
Ao vento porque são de Gaby.

Inquieta, criativa, brilhante sempre
Artista de muitos lugares:
Da cena underground portoalegrense
Do Instituto de Artes
Do Mix Bazzar
Da Cidade Baixa
Da Bienal B
Do MAC
Do Artemosfera
Da VIDA
Amiga em todas as ocasiões.

Acompanho o exercício silencioso
destas pinturas,
onde a cor mergulha na água,
para depois
com o frescor de uma brisa
ou a violência de um tornado,
manchar o papel
evocando milênios de história
que são contadas por meio desta
tradicional técnica artística

Gaby absorve
como a folha de papel
o deleite de uma
civilização oriental: a China,
nação que apenas agora
começa a sair de si mesma,
embora suas invenções
já tenham conquistado o mundo.
Assim, a artista compartilha como viajante
uma pintura não de algo que sabe,
mas de algo que descobre.

Eis o convite que a exposição
Aquarelas ao Vento nos traz:
Descobrir o nosso oriente!

André Venzon

desenhos de antônio augusto bueno no estudio dezenove

CONTRAPONTO

                O ato de tecer a trama começa pelo gesto de passar o pincel entintado sobre o suporte. Esse movimento é rápido e o papel absorve a tinta de maneiras diferentes, ora mais densa, ora mais diluída. Esse ritual dá início ao processo criativo de cada desenho, pois após a mancha, as linhas são depositadas sobre a superfície ainda úmida, em que o traço toma formas mais grossas ao abrir sulcos na tinta. Posteriormente a linha se transforma quando acumulada sobre a superfície seca. Nesses caminhos entre uma e outra investida, em meio as tramas feitas à grafite, o ritmo se intensifica surgindo espaços repletos de informações e espaços em que os campos de silêncios e de cores protagonizam contrapontos instigantes.

A imagem é criada aos poucos, pois ela recebe e devolve movimentos por meio de linhas inquietas que, diluem as fronteiras entre elas mesmas e as manchas. Os pequenos nichos construídos pelas linhas indicam caminhos imprevisíveis que, hibridizam as formas e mantêm aceso o embate entre Antônio Augusto Bueno  e a sua obra.

Este percurso deixa rastros, pistas para novas experiências. Os desenhos surpreendem pelo seu nexo interno, em que o nosso olhar se inquieta para assimilar tudo o que está ali inscrito. Os devaneios levam à tentativa de absorver todo o trabalho procurando desvendar seus mistérios, contudo, a complexidade do contexto e a singularidade da obra transformam os sentidos, deixando-o em suspenso, na pretensão de buscar os significados da poética.

O vocabulário plástico encontrado nos desenhos é fecundo, encanta e permite que cada um ache neles o que deseja encontrar, seja na exuberância dos detalhes, seja através da viagem que a linha percorre em seu ir e vir. É como navegar em um mar agitado sem saber aonde vamos chegar. No entanto, o prazer do percurso consiste em tentar desvelar os liames de linhas em suas pequenas ilhas que conduzem o nosso olhar de um ponto a outro. São caminhos mágicos em que a linha inquieta e ao mesmo tempo liberta. A fruição deve ser sensível e atenta, pois a qualquer momento podemos ser surpreendidos.

Ana Zavadil, Crítica de Arte, Mestre em Artes Visuais pela UFSM

Desenhos de Antônio Augusto Bueno
Abertura 14 de Abril das 18h às 22h
Visitação de 15 a 29 de abril mediante marcação prévia (21) 2232-6572
Travessa do Oriente, 16A | Santa Teresa | Rio de Janeiro
www.estudiodezenove.carbonmade.com
Curadoria de Ana Zavadil

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Tessituras

Artistas

Alexandra Eckert, Beatriz Dagnese, Fabriano Rocha, Rogério Livi, Rosane Morais – curadoria de Ana Zavadil

Datas

10/03/2012 a 31/03/2011

TESSITURAS

                O ato de tramar por meio da linha é o elo comum que cria afinidades entre os trabalhos desta exposição. As tramas tecem conceitos gerados através dos resultados, e as tessituras modulam as poéticas de Alexandra Eckert, Beatriz Dagnese, Fabriano Rocha, Rogério Livi e Rosane Morais. A repetição, seja ela do gesto, seja de um mesmo elemento formal, está presente nos processos operatórios (formal e poético), assim como o tempo que, ligado intrinsecamente à maneira de trabalhar de cada um, tece o gesto criativo, nutrindo as obras de qualidades específicas, e cria o diálogo entre elas.

Alexandra Eckert apresenta uma série de postais em serigrafia, em que o símbolo coração é recorrente e sua marca registrada. As linhas que formam o coração têm um significado especial, pois se referem à linha da vida, mas que também falam de tempo e memória. Essas linhas valorizam o tema escolhido para representação e geram limites, pois instauram um dentro e um fora. A sua poética envolve muitos modos de lidar com esse coração que vai da cerâmica –  linguagem primeira em seu vocabulário – até a serigrafia e o  desenho. Outra forma de mostrar seu trabalho foi transformá-lo em livros de artista, idealizando bulas e caixas e/ou potes para abrigar minigravuras e nanocerâmicas. A característica que vem marcando profundamente o seu trabalho é a forma de apresentá-lo: com características requintadas e de grande beleza formal, além de demonstrar a intensa pesquisa que vem desenvolvendo. Outro fato, que muito agrada a todos, é que Alexandra faz distribuições desses pequenos trabalhos, fortalecendo outro dado em sua pesquisa: uma arte acessível que atinja outros públicos.

Beatriz Dagnese explora a linha com sensibilidade em tramas originais e únicas que se expandem no preto do papel. Delicadas e firmes elas escravizam o nosso olhar exigindo uma fruição plena e meticulosa. O ritmo que ela impõe através dos elegantes desenhos nos convidam a penetrar em seu fazer e descobrir o que está por trás dessas tramas: verdadeiras paisagens provocativas, envolventes e questionadoras indicando que o gesto  formador retorna sobre si mesmo, voltando sempre ao ponto inicial para se perder na força instauradora da forma. A surpresa  é introduzida diante de cada desenho, uma vez que as teias de linhas criam verdadeiros espetáculos, ora abrindo-se, ora fechando-se em suaves caminhos que levam a outros, e estes por sua vez se perdem em novas tessituras. Seria infinito, se as bordas do papel não os fizessem estancar, ou mesmo as bordas invisíveis criadas pelo imaginário da artista. E assim é o seu desenho: seguro, delicado, apurado e que nos faz submergir em seus meandros.

Fabriano Rocha dedica-se ao desenho sem se ater a temas específicos, já que busca por meio de motivos simples, como os objetos ou a figura humana, o meio para aprimorá-lo. O desenho vem forte, em que as linhas sobrepõem o motivo escolhido de forma densa, repetitiva, criando camadas e texturas, apropriando-se dele para subvertê-lo, transformá-lo. À medida que o tempo passa, as camadas se acumulam sobre o papel, mas podemos ver as anteriores como em uma arqueologia da matéria. As camadas de linhas vão modificando o desenho. Surgem em meio a essa trama de elementos que se repetem: o lúdico se faz presente. Fabriano busca a unidade pelo peso, pela densidade das camadas. O desenho é instigante, provocativo. Ele é feito para se olhar tanto de perto quanto de longe. Em cada uma das situações, ele diz para o que veio: como atitude, pois a dinâmica, a sensibilidade, o emaranhado de linhas, a cor não permitem uma leitura apressada, uma vez que, se assim fosse, não daria conta de tudo o que está contido ali porque diz respeito a muitas possibilidades e desdobramentos deste trabalho como necessidade primeira da criação.

Rogério Livi nos dá as linhas no espaço em forma de esculturas em madeira. O trabalho é feito com maestria e paciência demonstrando uma intimidade em relação ao material e na maneira como vai lapidando-a aos poucos. As formas revestem-se de uma leveza ímpar e, penduradas no espaço, parecem frágeis, e o mais sutil dos ventos pode colocá-las em movimento. Percebemos a total cumplicidade entre o escultor e a sua obra, visto que as formas tecem ritmos espaciais, multiplicando-se através das mãos de seu criador que infligem equilíbrio e harmonia à  matéria. As formas apropriam-se do espaço estendendo-se e criando rastros como corpos que delineiam suas trajetórias através do tempo. As sombras projetadas na parede por meio da luz mostram um novo desenho, perfeito como o original, porém revestido de mistério. A materialidade é construída com rigor técnico em que cada curva ou encaixe é pensado com exatidão. Livi, criterioso em seu fazer, exige de si o trabalho perfeito, em que  cada coisa deve estar em seu devido lugar.

Rosane Morais usa um termo em alguns de seus trabalhos que pode abarcar a sua obra em certa medida: memórias em movimento. Os panos, em um primeiro momento enrolados e/ou dobrados, estão carregados de memórias. As memórias dessa artista sensível que usa a linha para desenhar e escrever em seu diário, inusitado pelo seu tamanho (já que são metros de tecidos), o deixa ao lado da cama para servir de receptáculo para as mais íntimas confissões, anseios e desejos que, misturados a ações e fatos do cotidiano concebem um inventário pessoal. Esse pano que absorve os sentimentos e fatos também serve como abrigo. Envolver-se nele significa experimentar o momento, trazer movimentos às tramas ali depositadas – o passado e o presente sem compromisso com a ordem dos acontecimentos – e apenas desfrutar o instante fugaz. A linha é a palavra-chave de Rosane, e ela vive intensamente a sua própria poética pela linha da vida, do tempo e do desenho. O branco remete à paz, à candura; o tecido fino, por vezes transparente, acumula camadas e se pode ver e sentir através dele. O que nos é sugerido é uma aproximação com o tecido e por meio dele chegar à vida-tempo-espaço-movimento. A sensibilidade aflora à pele de Rosane e de quem compartilha do seu trabalho. A costura que faz cesuras no tempo e que tece seu fio pelo emaranhado da vida nos é dada como uma meada de linhas pronta para ser desenrolada, é só se deixar levar.

Tessituras abrange a produção de cinco artistas contemporâneos da cena artística de Porto Alegre, que fundaram, a partir do desenho, a base de sustentação de suas trajetórias. O desejo, a vontade, o impulso, o pensamento e a emoção são alguns dos ingredientes da criação e combinados traduzem o imaginário desses artistas que nos contemplam com trabalhos de original beleza e significado e nos convidam à fruição.

Ana Zavadil

Espaço Sagrado

Artista

Fernanda Lago

Data

5/11/2011 a 26/11/2011

Tecidos do cotidianoFernanda Lago é uma jovem artista que desperta interesse logo que vemos suas ações e instalações, num segundo olhar aparecem claras as evidências arquetípicas ao conduzir suas intenções transcendendo o apelo formal, e acionando outros sentidos que encontramos na arte contemporânea.  Escutar nosso pulsar por um estetoscópio dentro de um túnel denominado de Akshatam 2 , eu comigo mesma  em sânscrito. A auscultação é executada com a finalidade de  examinar o sistema circulatório e sistema respiratório, sons do coração e sons da respiração.

Nas palavras de Fernanda, seria uma auto-descoberta como espaço de reflexão de si e do espectador ao nos encontrarmos imersos na arquitetura de tecido e acrilon, obtendo uma experiência estética e metafísica . Este material sintético , acrilon, é constantemente utilizado pela artista para construir sua poética ao imprimir como molde à partir de seu corpo, parecendo emergir de uma nuvem artificial ao  medir o espaço da ação, e ampliando nossa capacidade de perceber o mundo.

Em outra instalação, o espectro atravessa um voil branco, onde quem se encontra dentro visualiza a cena externa, e quem está fora não enxerga quem está dentro, deste lugar chamado de “sagrado” pela artista. Cria também  um paradoxo ao desmistificar a aura da obra de arte, num mantra tecido pelo tempo como performance etérea em toda sua plena fisicalidade.

Alexandre Antunes – outubro 2011