outono ou nada

No dia 23 de junho de 2012 Antônio Augusto Bueno realizou a intervenção “Outono ou nada” em frente ao Jabutipê com folhas secas de plátano recolhidas no caminho para Morro Reuter/RS.

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gravetos armados

 

dia 17 de maio de 2012, às 19h dando prosseguimento ao projeto gravetos armados, antônio augusto bueno abre sua próxima exposição no porão do paço dos açorianos.

porão do paço dos açorianos – praça montevidéu n°10 | centro histórico de porto alegre

 

 

desenhos de antônio augusto bueno no estudio dezenove

CONTRAPONTO

                O ato de tecer a trama começa pelo gesto de passar o pincel entintado sobre o suporte. Esse movimento é rápido e o papel absorve a tinta de maneiras diferentes, ora mais densa, ora mais diluída. Esse ritual dá início ao processo criativo de cada desenho, pois após a mancha, as linhas são depositadas sobre a superfície ainda úmida, em que o traço toma formas mais grossas ao abrir sulcos na tinta. Posteriormente a linha se transforma quando acumulada sobre a superfície seca. Nesses caminhos entre uma e outra investida, em meio as tramas feitas à grafite, o ritmo se intensifica surgindo espaços repletos de informações e espaços em que os campos de silêncios e de cores protagonizam contrapontos instigantes.

A imagem é criada aos poucos, pois ela recebe e devolve movimentos por meio de linhas inquietas que, diluem as fronteiras entre elas mesmas e as manchas. Os pequenos nichos construídos pelas linhas indicam caminhos imprevisíveis que, hibridizam as formas e mantêm aceso o embate entre Antônio Augusto Bueno  e a sua obra.

Este percurso deixa rastros, pistas para novas experiências. Os desenhos surpreendem pelo seu nexo interno, em que o nosso olhar se inquieta para assimilar tudo o que está ali inscrito. Os devaneios levam à tentativa de absorver todo o trabalho procurando desvendar seus mistérios, contudo, a complexidade do contexto e a singularidade da obra transformam os sentidos, deixando-o em suspenso, na pretensão de buscar os significados da poética.

O vocabulário plástico encontrado nos desenhos é fecundo, encanta e permite que cada um ache neles o que deseja encontrar, seja na exuberância dos detalhes, seja através da viagem que a linha percorre em seu ir e vir. É como navegar em um mar agitado sem saber aonde vamos chegar. No entanto, o prazer do percurso consiste em tentar desvelar os liames de linhas em suas pequenas ilhas que conduzem o nosso olhar de um ponto a outro. São caminhos mágicos em que a linha inquieta e ao mesmo tempo liberta. A fruição deve ser sensível e atenta, pois a qualquer momento podemos ser surpreendidos.

Ana Zavadil, Crítica de Arte, Mestre em Artes Visuais pela UFSM

Desenhos de Antônio Augusto Bueno
Abertura 14 de Abril das 18h às 22h
Visitação de 15 a 29 de abril mediante marcação prévia (21) 2232-6572
Travessa do Oriente, 16A | Santa Teresa | Rio de Janeiro
www.estudiodezenove.carbonmade.com
Curadoria de Ana Zavadil

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Gravetos Armados: intervenção na fachada do Jabutipê

Intervenção realizada por Antônio Augusto Bueno no domingo, dia 13 de março de 2011.

Gravetos Armados

Artista

Antônio Augusto Bueno

Datas

Encerramento: 31/7/2010 (sábado) das 19h às 21h.
Visitação agendada: (51) 9196-4860

Atividade de imersão em desenvolvimento no Jabutipê. A busca de novas formas aos gravetos e galhos caídos e colecionados no pátio, nos fundos da casa, no decorrer desses últimos dois anos.

Antônio Augusto Bueno mostra novos desenhos no Jabutipê

Exposição

Novos desenhos no novo atelier

Artista

Antônio Augusto Bueno

Datas

de 24/10/2009 a 21/11/2009

Novos desenhos no novo atelier

Texto por Ana Zavadil

Tal como o fluxo contínuo do rio de Heráclito, nunca se desenha o mesmo desenho, nunca o traço da linha será igual. Em permanente mutação, a natureza do desenho é sempre a mesma e sempre outra.
Edith Derdyk

O desenho e a escultura de Antônio Augusto Bueno apresentam-se em novas tramas de singular beleza e tanto numa linguagem como na outra as linhas constituem a essência da composição.

A exposição que relaciona os novos trabalhos ao novo espaço expositivo foi construída no decorrer do último ano. Este novo lugar: o Atelier Jabutipê abriga a multiplicidade de trabalhos em desenho sutilmente reinventados e abre as portas para a socialização da arte e para a renovação do circuito artístico. Em suas proposições focaliza o jovem artista nas experimentações, projeta nichos de ensino, de debate, de produção e de circulação de obras.

A condição de trabalhar em um espaço maior e a liberdade de poder deixar vários desenhos em andamento trouxeram uma dinâmica diferente ao modo de perceber e realizar a sua poética. Ao mesmo tempo em que o artista desenha sobre tecido ou papel no chão do atelier, sobre a mesa realiza desenhos em pequenos formatos. As manchas aguadas descansam e são absorvidas pelo papel e/ou tecido e a linha costura as formas sobre elas; interpenetram-se; dialogam; espalham-se, desafiam nossos sentidos.

Neste caminho de sentidos, em meio às tramas de grafite, descobrimos campos de silêncios e de cores, antes pouco usados por Antônio. As linhas que rompem, tecem ritmos, contornam, vão e voltam impalpáveis sobre o suporte constroem o desenho do artista e se vestem no plano de sutis armadilhas: deixa-se ver como volume, delineando tessituras, enquanto desdobram-se no espaço. Deparamos-nos com afinidades, repetições e diferenças em paisagens onde a linha do desenho é o fio condutor para a escultura, ou seja, a linha mostra-se como matéria sobre o plano ou como matéria expandida no espaço, tendo o óxido de ferro (que dá cor ao desenho) como o elemento responsável pela ferrugem nos arames das esculturas.

Antônio propõe um novo olhar sobre as obras e nos convida a fazê-lo nesta primeira mostra que preparou criteriosamente, pois os trabalhos, em sua grande maioria, foram realizados para o local com o desejo de instaurar um espaço de reflexão ao estabelecer a relação do artista com o lugar e as interações entre a obra, o espaço, o sujeito e o tempo de fruição.

* Mestranda em Artes Visuais – Arte e Cultura pela UFSM.

vídeo rodrigo d’mart