Simone Rocha da Conceição abre temporada de 2010

Exposição

(in)tensões

Artista

Simone Rocha da Conceição

Datas

20/03/2010 a 10/04/2010

expo simone

Intenções

Texto por Ana Zavadil *

O fio condutor dos trabalhos de Simone Rocha da Conceição é o antagonismo, ou seja, as forças opostas que compõem os seus desenhos. As duas séries apresentadas na exposição (In) tensões refletem a busca pelas relações de oposição que podem ser percebidas tanto no modo de realizar o trabalho quanto no produto final.

Seus trabalhos são exibidos da seguinte maneira: cada série está em uma parede lado a lado e em prateleiras. Os desenhos das prateleiras estão dobrados sobre si, o que nos permite absorver os seus conteúdos, também, de formas distintas.

A primeira série são as frottages, que sustentam o vigor colocado sobre o ato de imprimir a imagem no papel. A obra percebida possui evidentes contrastes entre o preto e o branco, nos possibilitando sentir a força colocada sobre o lápis para a obtenção desse resultado. Nota-se, de imediato, a relação dinâmica entre o fazer e o seu resultado. O atrito do lápis sobre o papel gera rasgos ou manchas devido à força do gesto. Essas cicatrizes integram o trabalho, pois os acasos fazem parte do processo.

A segunda série nos indica um desenho leve e orgânico, em que o gesto vai solto, traçando linhas feitas de água que depois se tornam o caminho por onde vai deslizar o nanquim ora criando campos mais densos, ora mais leves. O preto vai se espalhando até atingir nuances claras e chegar ao quase branco.

Essas duas séries são apresentadas sobre prateleiras sequencialmente dobradas, formando ângulos retos. Aqui, o acontecimento é decididamente espacial – imagem e jogo – uma vez que o olhar é oblíquo e busca as formas que se escondem atrás de uma dobra. No entre – dobras que causam estranhamento ao olhar curioso – os ângulos são contornados na ânsia de capturar toda a imagem, não se fixando mais na paisagem do espaço-fragmento, mas, sim, nos interstícios. E o mais curioso é que esse desenho dobrado sobre si causa a quebra do espaço em fragmentos fazendo do movimento do observador o seu aliado para novas percepções.

Os trabalhos de Simone Rocha da Conceição instigam essa passagem de uma percepção a outra, porque o vemos ora inteiro, ora fragmentado. No primeiro caso, os contrastes são mais evidentes, no segundo, a dobra causa tensões espaciais significativas, transforma o nosso olhar e, assim, o espaço se faz tempo.

Os trabalhos apontam para experimentações sensíveis visando a caminhos que partam do referencial do desenho para renovar desafios na intenção de construir e registrar o momento poético de Simone.

* Ana Zavadil, mestranda em Artes Visuais pela UFSM

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