Antônio Augusto Bueno mostra novos desenhos no Jabutipê

Exposição

Novos desenhos no novo atelier

Artista

Antônio Augusto Bueno

Datas

de 24/10/2009 a 21/11/2009

Novos desenhos no novo atelier

Texto por Ana Zavadil

Tal como o fluxo contínuo do rio de Heráclito, nunca se desenha o mesmo desenho, nunca o traço da linha será igual. Em permanente mutação, a natureza do desenho é sempre a mesma e sempre outra.
Edith Derdyk

O desenho e a escultura de Antônio Augusto Bueno apresentam-se em novas tramas de singular beleza e tanto numa linguagem como na outra as linhas constituem a essência da composição.

A exposição que relaciona os novos trabalhos ao novo espaço expositivo foi construída no decorrer do último ano. Este novo lugar: o Atelier Jabutipê abriga a multiplicidade de trabalhos em desenho sutilmente reinventados e abre as portas para a socialização da arte e para a renovação do circuito artístico. Em suas proposições focaliza o jovem artista nas experimentações, projeta nichos de ensino, de debate, de produção e de circulação de obras.

A condição de trabalhar em um espaço maior e a liberdade de poder deixar vários desenhos em andamento trouxeram uma dinâmica diferente ao modo de perceber e realizar a sua poética. Ao mesmo tempo em que o artista desenha sobre tecido ou papel no chão do atelier, sobre a mesa realiza desenhos em pequenos formatos. As manchas aguadas descansam e são absorvidas pelo papel e/ou tecido e a linha costura as formas sobre elas; interpenetram-se; dialogam; espalham-se, desafiam nossos sentidos.

Neste caminho de sentidos, em meio às tramas de grafite, descobrimos campos de silêncios e de cores, antes pouco usados por Antônio. As linhas que rompem, tecem ritmos, contornam, vão e voltam impalpáveis sobre o suporte constroem o desenho do artista e se vestem no plano de sutis armadilhas: deixa-se ver como volume, delineando tessituras, enquanto desdobram-se no espaço. Deparamos-nos com afinidades, repetições e diferenças em paisagens onde a linha do desenho é o fio condutor para a escultura, ou seja, a linha mostra-se como matéria sobre o plano ou como matéria expandida no espaço, tendo o óxido de ferro (que dá cor ao desenho) como o elemento responsável pela ferrugem nos arames das esculturas.

Antônio propõe um novo olhar sobre as obras e nos convida a fazê-lo nesta primeira mostra que preparou criteriosamente, pois os trabalhos, em sua grande maioria, foram realizados para o local com o desejo de instaurar um espaço de reflexão ao estabelecer a relação do artista com o lugar e as interações entre a obra, o espaço, o sujeito e o tempo de fruição.

* Mestranda em Artes Visuais – Arte e Cultura pela UFSM.

vídeo rodrigo d’mart

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