Novo atelier

Desde janeiro estou fazendo meus desenhos e esculturas no novo atelier ao mesmo tempo em que vou colocando as coisas no lugar, organizando os antigos trabalhos e também dando continuidade aos telhados e degraus.

Com relação à fachada da casa sempre tive a preocupação de preservar suas características originais, salientando determinados detalhes da época da construção, embora tivesse que adaptá-la a determinadas exigências de hoje, como relógios de medição de água, luz, e etc.

Desde o começo, ou melhor, muito antes de encontrar o novo espaço, venho conversando com Luís Filipe (meu irmão) – via internet, pelo telefone ou em suas vindas à Porto Alegre – como seriam as possíveis atividades do atelier: quem sabe agradáveis bate papos em finais de tarde de alguns premiados sábados, de vez em quando exposições de jovens e desconhecidos artistas, projeções de filmes, cursos livres, workshops, e até talvez… o plantio de um Ipê Amarelo.

Na virada do ano, comecei a mudança. “Devagarinho”, na mochila, em vários fretes, e em muitas caronas fui levando para o novo atelier desenhos e esculturas que havia deixado em meus dois antigos locais de trabalho, que sempre dividi com colegas, o da João Alfredo (onde fiquei de 2000 a 2007) e o da Subterrânea (onde trabalhei em 2007 e 2008), além de muita coisa que com o passar do tempo fui guardando dentro de gavetas, em cima de roupeiros, em baixo da cama.

Do início de agosto até o final de dezembro entrei em uma verdadeira gincana! Cada dia realizando uma nova tarefa, fui me familiarizando com o universo de ferragens e madeireiras, enquanto as equipes do Seu Nilson e Seu Roberto botavam a mão na massa… Novas idéias foram surgindo no meio do caminho, e assim aos poucos a velha casa foi se transformando.

A partir do dia sete de sete, comecei a ir diariamente a uma daquelas três casinhas (a de número 195), que já estava prestes a se tornar o novo atelier. Muitas vezes na companhia de minha Mãe, ficávamos “bolando” o que fazer naquela carcaça – paredes e telhados – sem instalação elétrica nem hidráulica e muito menos a instalação artística. “Meio” perdido entre o que o antigo proprietário havia deixado: venezianas e mais venezianas… , pias e mais pias… , muita bugiganga, e a vegetação que invadia os vãos que depois passariam a ser janelas e portas, fui me acostumando com o interior daquele lugar e, com as visitas e idéias do meu tio Dino, começamos a esboçar sua reforma.

Há quase exatamente um ano atrás, em pleno verão porto-alegrense, caminhei muito pelas ruas desta cidade procurando casas com aquelas conhecidas placas de “vende-se”. Andei muito pela Cidade-Baixa (Luís Afonso, Joaquim Nabuco e João Alfredo), Azenha, Menino Deus… Sempre com minha máquina fotográfica a tiracolo, me perdia por algumas ruas conhecendo novos bares, armazéns, padarias…. Pela Borges de Medeiros entrei várias vezes na Demétrio Ribeiro e lá quase na volta da Usina do Gasômetro sempre subia até ao Alto da Bronze para depois pegar a Avenida Independência e seguir meu caminho de volta para casa. Sendo raro encontrar placas de “vende-se”, muitas vezes deixei meu olhar correr solto fazendo livres enquadramentos. E foi, por pura ironia do destino, na Rua Fernando Machado, que meus olhos por um instante pararam na frente de três casinhas, sem placa alguma de “vende-se”, mas com várias pombas pousadas em seus detalhes do começo do século passado e também em fios de luz que sob o céu propunham um possível desenho contemporâneo. Caminhando fotografei sem dar muita importância e sem sequer poder desconfiar que uma, daquelas três casas, seria hoje o meu novo atelier.

 

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